Durante as crises de enxaqueca

Cada tipo de dor de cabeça tem seu analgésico próprio

Sobre as crises de enxaqueca
Uma vez que a crise de dor de cabeça iniciou, o tratamento das crises está indicado em todos os pacientes, pois a dor da enxaqueca é considerada moderada ou forte, comparável a dor da cólica renal. Durante as crises de enxaqueca se exige um esquema analgésico mais intenso. Ele deve ser iniciado logo no início da crise. Os analgésicos comuns são indicados para dor leve, muitas vezes ineficazes para promover o alívio da crise de enxaqueca. Hoje o melhor esquema para as crises são a combinação de triptanos e anti-inflamatórios.

Os triptanos são de categoria que medicamentos que foram desenvolvidos especificamente para enxaqueca. São ineficazes para qualquer outro tipo de dor no corpo. A crise de enxaqueca funciona no cérebro como um incêndio, que deve ser eliminado o mais rápido possível, pois quanto mais tempo o cérebro sente a dor, mais difícil fica para apagá-la. Por isso os analgésicos corretos devem ser usados logo no início das crises.

Esperar para ver se a dor vai passar na maioria das vezes é malsucedida e o paciente acaba tomando mais analgésicos até o fim da crise do que tomaria de usasse no início. Existem vários esquemas de crise, e a escolha deve ser personalizada de acordo com o perfil de cada paciente.

E estudos mais atuais mostram que as crises não tratadas ou tratadas inadequadamente podem levar ao surgimento de uma cefaleia persistente diária.

Uma grande observação deve ser feita: não usar analgésicos mais que 2x na semana, pois o risco de a enxaqueca agravar com o uso excessivo de analgésicos passa a ficar significativo acima dessa frequência.

Durante as crises de outras dores de cabeça

Como nem toda dor de cabeça forte é enxaqueca, o tratamento durante as crises depende do tipo de cefaleia. Por exemplo, uma crise de cefaleia em salvas pode ser abortada com inalação de oxigênio puro. Numa crise de hemicrania paroxística, apenas a indometacina pode aliviar. Numa crise de hipertensão intracraniana, às vezes a dor só alivia com  punção lombar e a retirada de um volume significativo de líquor cerebral. Os opióides são contra-indicados nas crise de enxaqueca, porém podem ser muito úteis na cefaleia cervicogênica. Em casos de síndrome miofascial, o agulhamento seco pode ser muito mais eficiente que os analgésicos.

Referências

Marmura, Michael J., Stephen D. Silberstein, and Todd J. Schwedt. “The acute treatment of migraine in adults: the American Headache Society evidence assessment of migraine pharmacotherapies.” Headache: The Journal of Head and Face Pain 55.1 (2015): 3-20.

Lipton, Richard B., et al. “Ineffective acute treatment of episodic migraine is associated with new-onset chronic migraine.” Neurology 84.7 (2015): 688-695.

Cameron, Chris, et al. “Triptans in the Acute Treatment of Migraine: A Systematic Review and Network Meta‐Analysis.” Headache: The Journalof Head and Face Pain 55.S4 (2015): 221-235.

Bordini, Carlos Alberto, et al. “Recommendations for the treatment of migraine attacks-a Brazilian consensus.” Arquivos de neuro-psiquiatria 74.3 (2016): 262-271.

Manzoni, Gian Camillo, and P. Torelli. “Symptomatic treatment of migraine: from scientific evidence to patient management.” Neurological sciences 35.1 (2014): 11-15.

Compartilhe este artigo, Escolha a plataforma!